sexta-feira, 11 de março de 2011

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morreu.

há quase um mês.

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durante o dia não lhe sinto a falta.

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ela andava sempre a limpar,

a arrumar,

a passar a ferro.


eu ia compar o jornal,

dar uma volta.


estávamos juntos à hora de comer.

.por isso,

durante o dia não lhe sinto a falta.

.

mas à noite,

na cama,

não consigo adormecer,

sinto a falta do seu irritante ressonar.


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5 comentários:

Anónimo disse...

pois, os malditos hábitos!

marradinhas da bicharada do "pequeno jardim" e um abraço da Humana

Justine disse...

Humor (quase) negro:)))
(ainda existe o Eugenie,passei-lhe à porta! Portanto, é só marcares quarto e meteres-te num avião...)

Folhetim Cultural disse...

Olá gostaria que visita se meu blog que é dedicado a cultura. Espero que goste nele tenho uma coluna poética aos sábados ás 09 da manhã espero poder contar com sua visita.

Sucesso em seu espaço.

Magno Oliveira
Twitter: @oliveirasmagno ou twitter/oliveirasmagno
Telefone: 55 11 61903992
E-mail oliveira_m_silva@hotmail.com

MagyMay disse...

A rotina de dormir com alguém, é das mais intensas entregas... ela "catch you", Augusto, mil!

Lizzie disse...

Senhor:

talvez seja por isso que não gosto de arrumar as coisas em classificações: ora veja que até o ressonar pode ser uma canção de embalar de acção hipnótica e quiçá vibratória.

Tudo depende do hábito de quem ouve e de quem trepida e, neste ponto, uma certa saudade, mesmo que pouca,até pode lavar as irritações.
É por isso que os mortos ou ausentes ganham sempre aos vivos e presentes.

Louvo-vos porque se tal sorte me coubesse, o de ouvinte de tal estremecimento, tornar-me-ia assassina por legítima defesa ainda que a casa andasse descuidada.
Mas se o ressonar fosse substituído pela mascadura de pastilha elástica sem que a boca fosse cerrada, ai Senhor, tornar-me-ia serial killer. Genocida se com balão e de cheiro a morango.

Perante a vossa insónia me curvo respeitosamente.