domingo, 17 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
hospital de santa maria hospital de santa maria hospital de santa maria horas extraordinárias horas extraordinárias médicos médicos médicos
sim, parece-me que há médicos que excedem as horas extraordinárias:
acompanhei esta semana uma pessoa ao hospital de santa maria para uma consulta marcada para as 9 horas. o jovem senhor doutor, jovem que certamente não fará parte da geração à rasca pois tem emprego, chegou às 10 horas e 41 minutos.
foi uma grande hora extraordinária.
e já os tenho visto a fazê-las muito mais vezes.
hospital de santa maria hospital de santa maria hospital de santa maria. médicos e horas extraordinárias médicos e horas extraordinárias
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
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morreu.
há quase um mês.
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durante o dia não lhe sinto a falta.
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ela andava sempre a limpar,
a arrumar,
a passar a ferro.
eu ia compar o jornal,
dar uma volta.
estávamos juntos à hora de comer.
.por isso,
durante o dia não lhe sinto a falta.
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mas à noite,
na cama,
não consigo adormecer,
sinto a falta do seu irritante ressonar.
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segunda-feira, 7 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
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hoje, no centro de dia, quando se sentou à mesa esquecera completamente aquilo que parece ser para ela tão importante: o ritual da lavagem das mãos.
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quando, de barriga já cheia, se foi embora, apoiada na bengala inseparável que mais parece pesar-lhe que ajudá-la, virou-se para trás, pele e osso, olhou-me já da porta e atirou:
- estou cada vez com o cu mais gordo, não estou?
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a minha amiga frioleiras, pudicamente, censurou e substituiu uma palavra.
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
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em minha casa os espelhos gostam de mim. ao longo dos anos habituaram-se à minha imagem e, como uma esposa que me acompanhasse dia a dia, não notam as marcas que o tempo vai deixando no meu rosto. quando me barbeio ou espreito se me despontam cabelos nas orelhas ou de dentro do nariz, olho por momentos o espelho nos olhos. ele retribui-me o olhar. com um olhar amigo, quase carinhoso. e mostra-me o que sou. há mais de meio século, há muito mais, que me mostra: sempre o mesmo. atravesso o hall. outro espelho sorri-me subtilmente e, com amizade, mostra-me a imagem de sempre. com uma ligeira diferença: agora uso óculos. um par de óculos que levei, à vontade, uns dez minutos a escolher. mas valeu a pena: acentuam ainda um pouco mais o meu ar sobriamente distinto. por força de circunstâncias várias encontro-me a viver há já dois meses numa casa que não é a minha. claro que nada aqui foi escolhido por mim: de todas estas coisas poucas eu teria escolhido. nem os espelhos, simples ou emoldurados. todos eles são frios, distantes e olham-me, sobranceiramente, pendurados mais alto que os de minha casa. forço-me a olhá-los de frente, nos olhos. com dureza retribuem o olhar. no vidrado desse olhar eu vejo alguém que não conheço: um rosto de atónitos olhos papudos e riscado por duras rugas e, cavalgado por ridículo par de óculos, um enorme nariz raiado de vermelho. não, não é verdadeira esta imagem que vejo quando olho mais acima neste espelho: não são meus estes cabelos ralos no alto da cabeça. não é este o meu corpo. mais mentiras não. vou para casa. tenho lá os meus amigos. em minha casa os espelhos gostam de mim. ao longo dos anos habituaram-se à minha imagem e, como uma esposa que me acompanhasse dia após dia, não notam as marcas que o tempo vai deixando no meu corpo. . .
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
pdi . (fase avançada)
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estou careca,
desdentado,
também me falta a tesão
e,
quando saio da cama
tenho que usar a bengala
para pôr os pés no chão.
dentro das calças
as fraldas
(mas que grande desconforto),
sem piedade amordaçam
um desgraçado
já morto.
fico sentado
em casa,
sempre a ver televisão,
adormeço
no sofá,
quer eu queira
ou quer não...
com0 é bom adormecer
sem nunca mais acordar,
a sonhar que bebo e bem
com gajas boas num bar
e que tenho vinte anos
e fodo até me fartar.
que porra, vou acordar!!!
desdentado,
também me falta a tesão
e,
quando saio da cama
tenho que usar a bengala
para pôr os pés no chão.
dentro das calças
as fraldas
(mas que grande desconforto),
sem piedade amordaçam
um desgraçado
já morto.
fico sentado
em casa,
sempre a ver televisão,
adormeço
no sofá,
quer eu queira
ou quer não...
com0 é bom adormecer
sem nunca mais acordar,
a sonhar que bebo e bem
com gajas boas num bar
e que tenho vinte anos
e fodo até me fartar.
que porra, vou acordar!!!
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domingo, 16 de janeiro de 2011
outra estante
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
grafito IV
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
grafito III
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.- o quê?! .tirar .no .dia .23. os meus ricos pés da parede para ir lá? .nem pensar,.. já sei que nem as moscas vão mudar...
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fico à janela a ver.
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sábado, 1 de janeiro de 2011
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
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a Matota e eu fomos colegas de trabalho durante quarenta e dois anos. um dia ela resolveu inscrever-se num curso de artes decorativas. andava entusiasmadíssima. este pequeno óleo foi pintado por ela.
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na terra das nossas diferenças cresceu uma amizade que criou raízes fundas.
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ela partiu.
recordo-a com ternura e seria reconfortante pensar que um dia voltaríamos a encontrar-nos.
e que voltaria a encontrar também todos aqueles que já perdi.
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se eu acreditasse.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
na estante IV
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
na estante III
sábado, 23 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
na estante I
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foi ao cirque du soleil
veio de lá encantado
já quer ir p'ra saltimbanco
será capaz?
eu não sei,
se calhar não..
ah,... coitado.
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e logo diz a idum:
enquanto compõe a estola:
esse gato é um artola
cada saltinho que dê
vai partir logo a cachola.
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mas o llugh
que quer fita
pois tem a câmara nova
diz: não fiques aflita
vamos já po-lo à prova.
vou filmá-lo a saltar
e se ele se sair bem
e não se estatelar
levo-o ao coliseu
e começa a trabalhar.
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e o rapaz saiu-se bem:
hoje atrai multidões
e a cada salto que dá
arrecada bons tostões.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
estória (muito) infantil VI
sábado, 9 de outubro de 2010
estória infantil VI
.(continuação)
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e os pobres dos passarinhos
aos soluços e doentes
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.pilha galinhas parou
não se sabe bem porquê.
talvez..... - alguém o matou?
e se calhar foi você.
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mas ninguém descansa em paz,
ninguém faz os seus soninhos:
agora é um mau rapaz
que anda p'la mata aos ninhos.
.e os pobres dos passarinhos
aos soluços e doentes
caminham só aos saltinhos
pondo ovos reticentes ...
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
estória infantil VI
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
estória infantil VI
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
estória infantil VI
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
estória nocturna
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2 horas da noite
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acordo. a terrível dúvida a matraquear-...-me a cabeça. não consigo mais continuar deitado. levanto-me. visto-me e desço a escada. no patamar está fresco, melhor que entre lençóis
acordo. a terrível dúvida a matraquear-...-me a cabeça. não consigo mais continuar deitado. levanto-me. visto-me e desço a escada. no patamar está fresco, melhor que entre lençóis
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olho através do gradeado da porta mas não vejo qualquer resposta, a dúvida subsiste
saio, mas à minha frente só a rua vazia, as pedras e o alcatrão. não vejo daqui o mar
-Mercília
partiu na camioneta da carreira. com as duas bengalas
-Longe
grito a perguntar
-Mercília, os cavalos fazem sombra no mar?
a minha voz bate nas paredes dos prédios em frente. ela não me ouve.
-Longe
olho. à minha frente só a rua vazia, as pedras e o alcatrão. não vejo daqui o mar.
-Menino, só o lixo faz sombra
e eu, que faço sombra, sempre a dúvida
-Mãe! sou lixo?
(quero os meus livros de estórias infantis)
-Beatriz, o teu filho rasgou os meus livros
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Etiquetas:
depois de ler o ANT'ÓNIO LOBO ANTUNES
sábado, 4 de setembro de 2010
estória infantil V
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é verdade que, quando andei no liceu gil vicente, havia lá, num enorme armário com portas de vidro, um esqueleto de galináceo que apresentava quatro patas. bem, mas isso era uma anomalia e todos nós o sabíamos. ou, pelo menos, assim o creio.
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a grande interrogação da minha vida, que me acompanha desde menino, é sobre a existência, ou não, de porcos com cinco pernas.
eu explico:
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no prédio onde morava havia um casal no rés do chão que volta e meia tinha grandes zangas e, era costume ouvir o marido, quando já estava farto, acabar a conversa gritando para a mulher "olha, não me chateies, vai mamar na quinta perna dum porco!"
a frase, que era gritada bem alto, sempre provocou no meu cérebro infantil grande confusão.
até hoje, apesar do precedente do galináceo, nunca tive, quer em livros infantis quer em conversas com gente crescida, confirmação, ou não, de que existam porcos de cinco pernas.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
estória infantil II
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