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hoje, no centro de dia, quando se sentou à mesa esquecera completamente aquilo que parece ser para ela tão importante: o ritual da lavagem das mãos.
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quando, de barriga já cheia, se foi embora, apoiada na bengala inseparável que mais parece pesar-lhe que ajudá-la, virou-se para trás, pele e osso, olhou-me já da porta e atirou:
- estou cada vez com o cu mais gordo, não estou?
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a minha amiga frioleiras, pudicamente, censurou e substituiu uma palavra.
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2 comentários:
Ai Senhor,
que velhinha desbocada...!
(por acaso prefiro o castelhano culo)
Não lhe chegava ser anoréctica?
Será também pedófila?
Será isso a exibição do culo uma estratégia de sedução para com o suposto enfermeiro?
Se calhar tem o cabelo pintado em preto asa de corvo, sobrancelhas desenhadas a lápis e batón rouge, género boca adolescente e mordida em pose teatral de paixão.
(o marido está na outra sala, careca disfarçada com falripas a partir da orelha, convencidíssimo que a auxiliar ucraniana de 20 anos sonha com ele em versão de amor eterno ou de Soror Mariana Alcoforado)
Ai Senhor, que má estou hoje!
De qualquer forma,vendo bem, Senhor, estas ilusões não fazem mal nenhum e tornam felizes quem as imagina. Vendo bem não trazem mal ao mundo.
Sei lá como seremos quando tivermos 121 anos...
Agora as outras...
Respeitos para si e para a Frioleiras
Enternecedor e pungente, tanto o texto como o desenho. Muito belo e muito triste...
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